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sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Ex-membro do Greenpeace fala ao Senado americano sobre aquecimento global.

A página de ciência do Globo nos brinda hoje com mais uma reportagem bombástica sobre o aquecimento global.  Como sempre, muito catastrofismo e muito pouco conteúdo.  O intuito, para não variar, é disseminar o medo nas pessoas.  Faz parte da estratégia de produzir consensos, ainda que a boa ciência nunca evolua à base de consensos, mas principalmente de dissensos.
Então, o que melhor podemos fazer em prol da verdade científica é dar voz ao outro lado.  Abaixo, transcrevo (em tradução livre) o testemunho do Dr. Patrick Moore, um ex-fundador do Greenpeace, perante o Comitê Ambiental do Senado Americano, no último dia 25 de fevereiro.

Obrigado pela oportunidade de testemunhar na audiência de hoje.
Em 1971, como um estudante de pós-graduação em ecologia, entrei para um grupo ativista que se reunia no porão de uma igreja em Vancouver, Canadá, e naveguei num pequeno barco através do Pacífico para protestar contra os testes americanos da bomba de hidrogênio, no Alasca. Tornamo-nos [posteriormente] o Greenpeace.
 Depois de 15 anos na Comissão superior, fui obrigado a abandonar aquela organização quando ela deu uma guinada brusca para a esquerda e começou a adotar políticas que eu não podia aceitar da minha perspectiva científica.  As Mudanças Climáticas não eram um problema quando eu abandonei o Greenpeace, mas certamente são agora.
 Não há nenhuma prova científica de que as emissões humanas de dióxido de carbono (CO2) são as causas dominantes do aquecimento da atmosfera terrestre ao longo dos últimos 100 anos. Se houvesse uma só prova, isso seria escrito aqui para que todos pudessem ler. Mas tal prova, pelo menos como a ciência entende uma prova, não existe.
 O Painel Intergovernamental sobre mudanças climáticas (IPCC) estabelece: "é extremamente provável que a influência humana seja a causa dominante do aquecimento observado desde meados do século XX."
"Extremamente provável" não é um termo científico, mas um julgamento, como em um tribunal.  O IPCC define "extremamente provável" como uma "probabilidade de 95-100%". Mas estes números não são o resultado de qualquer cálculo matemático ou análise estatística. Eles têm sido "inventados" como uma construção dentro do Relatório do IPCC para expressar "um julgamento especializado", conforme determinado pelos mantenedores.
Estes julgamentos são baseados, quase inteiramente, em resultados de sofisticados modelos de computador, projetados para predizer o futuro do clima global. Como foi mencionado por muitos observadores, incluindo o Dr. Freeman Dyson, do Princeton Institute for Advanced Studies, um modelo de computador não é uma bola de cristal. Por mais sofisticado que ele possa ser, não podemos prever o futuro através m um modelo de computador mais do que nós podemos fazer predições com bolas de cristal, ao atirar ossos, ou apelando para os deuses.
Talvez a maneira mais simples de expor a falácia da "certeza extrema" seja olhar para os registros históricos. Com eles, temos algum grau de certeza em relação às previsões do futuro. Quando a vida moderna evoluiu, mais de 500 milhões anos atrás, [as concentrações de] CO2 eram mais de 10 vezes superiores ao que são hoje, e a vida floresceu. Então, uma Era Glacial sobreveio, 450 milhões anos atrás, quando os níveis de CO2 eram 10 vezes maiores do que são hoje. Há alguma correlação, mas pouca evidência, para apoiar uma causalidade direta entre CO2 e temperaturas globais através dos milênios. O fato de que tivemos tanto temperaturas mais altas como uma idade de gelo quando as emissões de CO2 eram 10 vezes maiores do que são hoje fundamentalmente contradiz a certeza de que as emissões de CO2 causadas pelo homem são a principal causa do [atual] aquecimento global.
Hoje, continuamos vivendo no que é essencialmente ainda a idade do gelo Pleistocênica, com uma temperatura média global de 14.5 C.  Para se ter uma ideia do que isso significa, as temperaturas médias durante os períodos de máxima glaciação desta Idade do Gelo eram de 12º C, enquanto durante as Eras de Estufa eram de até 22º C. Nesse período, não havia sequer gelo nos pólos ou em qualquer outra parte da Terra. Recentemente, há menos de 5 milhões de anos atrás, as Ilhas do Ártico canadense eram completamente arborizadas. Atualmente, vivemos num dos raros períodos de frio da história da vida na terra e não há nenhuma razão para acreditar que um aquecimento do clima não seria benéfico para os seres humanos e a maioria das outras espécies. Ao contrário, há amplas razões para acreditar que um resfriamento acentuado traria resultados desastrosos para a civilização humana.
 Vindo mais para os dias atuais, é instrutivo estudar o registro da média global de temperatura durante os últimos 130 anos.  O IPCC afirma que os seres humanos são a causa dominante do aquecimento "desde meados do século XX".  De fato, de 1910 a 1940 houve um aumento na temperatura média global de 0,5º C. Depois disso houve uma "pausa" de 30 anos até 1970. Esta foi seguida por um novo aumento de 0,57ºC, no período de 30 anos que vai de 1970 a 2000. Desde então, não há registro de nenhum aumento, ou talvez uma ligeira diminuição, na temperatura média global. Essa tendência já seria suficiente para negar a validade dos modelos de computador, uma vez que as emissões e concentrações de CO2 nunca pararam de aumentar durante todo esse período.
É importante reconhecer, em face das terríveis previsões sobre um aumento de 2ºC na temperatura global média, que os seres humanos são uma espécie tropical. Evoluímos no Equador, num clima onde as temperaturas geladas não existiam. As únicas razões para que possamos sobreviver aos climas frios atuais são fogo, vestuário e habitação. Pode-se dizer que o frio e o gelo são inimigos da vida, exceto para aquelas relativamente poucas espécies que evoluíram para se adaptar a temperaturas abaixo de zero durante esta idade do gelo do Pleistoceno. É "extremamente provável" que uma temperatura mais quente do que hoje seria muito melhor do que uma mais fria.
 Estou ciente de que meus comentários vão de encontro a grande parte da especulação climática atual.  No entanto, estou confiante de que história me dará razão, tanto em termos da inutilidade de se confiar em modelos de computador para prever o futuro quanto ao fato de que temperaturas mais quentes são melhores do que temperaturas mais frias para a maioria espécies.
Se queremos preservar a biodiversidade, a vida selvagem e o bem-estar humano, devemos simultaneamente nos planejar tanto para aquecimento quanto para o arrefecimento, reconhecendo que um eventual resfriamento seria a mais prejudicial das duas alternativas. Não sabemos se a presente pausa na temperatura permanecerá por algum tempo, ou se as temperaturas vão subir ou descer em algum momento num futuro próximo. O que sabemos com "extrema certeza" é que o clima está sempre mudando e que não somos capazes, com o nosso conhecimento limitado, de predizer o que acontecerá primeiro.
Obrigado pela oportunidade de apresentar meus pontos de vista sobre este importante assunto.

http://www.liberdade.cc/posts/5197#.UxFES-NdXFk

Não se engane: o conservadorismo é antagônico ao liberalismo.

No senso comum brasileiro, é normal confundir liberais com conservadores. Nada poderia ser mais distante da realidade. Em termos de política objetiva, liberais e conservadores discordam radicalmente. Enquanto conservas vão falar contra as drogas e o casamento gay, liberais vão ter propostas radicais como a legalização de todas as drogas e a desestatização do casamento. Mas liberais e conservadores se antagonizam em algo mais profundo: em seus princípios.
O foco fundamental dos conservadores é na tradição, nos costumes e na continuidade. Eles partem da ideia de que as gerações passadas, presente e futuras se ligam através de um contínuo histórico de uma “ordem moral”. Por isso, esse elo intrageracional deteria uma superioridade moral que deveria ser preservada. Eles dizem que não são teorias metafísicas que justificariam suas escolhas – mas a “experiência”. As mudanças, embora necessárias “para a nossa sobrevivência”, são vistas como um mal inevitável. O ode é ao status quo.
Antes de mais nada, é importante lembrar que o liberalismo surgiu em oposição àqueles que queriam conservar a velha ordem. Adão Smith falava em favor do livre comércio e pela abolição das leis protecionistas do trigo e milho numa Inglaterra em que tanto o mercantilismo quanto essas leis eram a tradição e estavam lá desde sempre.
Um estranho vício dos conservadores é não perceber o quanto a economia de mercado foi e é revolucionária – e quanto ela abalou as estruturas da sociedade tradicional. A economia de mercado acabou com as posições tradicionais – a ideia de que vocês sempre seguiria a profissão de seus pais – e libertou as classes mais desfavorecidas para experimentar e tentar buscar uma vida melhor.
As desigualdades objetivas e de status (embora não as desigualdades de renda) foram significativamente reduzidas com a economia de mercado. Até um Rei passou a estar debaixo da lei. Como dizia Mises, a diferença entre um pobre e um rico numa sociedade pré-economia de mercado era a diferença entre possuir ou não possuir sapatos. A diferença entre um pobre e um rico na sociedade de mercado é entre ter um carrão e ter um fusca.
Isso vai contra toda a tradição. Isso vai contra tudo o que sempre esteve aí. A economia de mercado é uma revolta contra o estado natural da humanidade. É uma boa revolta, porque o estado natural da humanidade sempre foi a pobreza.
Embora os conservadores achem que não se justificam em “formula mágica feita por um estudioso”, eles não percebem que a derivação de legitimidade dos costumes é em si uma teoria racionalizada. Os costumes, por si só, não justificam nada. É preciso um corpo teórico para derivar legitimidade moral dos costumes.
Os costumes podem ser bons ou ruins. Racionais ou irracionais. Os costumes já impuseram a dominação e propriedade masculina sobre as mulheres; a escravidão de negros a brancos; a divisão de pessoas em classes imóveis de aprendizes e profissões; a impossibilidade de se ter mobilidade religiosa; e a ainda persistente lealdade irracional a um desenho em um mapa e uma bandeira – e tantas outras arbitrariedades. Para um liberal, um costume que infringe a justiça e a liberdade deve ser mudado.
Outro erro da maioria dos conservadores é não perceber que as instituições sociais estão em permanente revolução, em um processo evolutivo e dinâmico. Elas mudam o tempo todo rumo aos novos desígnios que a sociedade lhes dá. Eles acham que o simples fato delas existirem (o status quo) é que o lhes garante legitimidade, quando a legitimidade deriva precisamente da utilidade social delas. É a sociedade que escolhe o que é útil e o que não é útil, através de suas trocas e do encontro de suas preferências subjetivas.
Quando algo deixa de ser útil, a ordem é contestada e alternativas são providas. A contestação da ordem faz parte do processo de mudança social necessária à uma sociedade inovadora. A mudança derivada da contestação da ordem não vem por definição “acompanhada de prudência”. A mudança é uma luta constante contra o status quo.
Contestação, também, faz parte essencial da preservação da liberdade individual. Como conservadores abraçam uma visão comunitarista de mundo, eles acabam ignorando o valor intrínseco da indivíduo, relegando a mera egrenagem na máquina da tradição. Para o liberal, o importante é a preservação da capacidade de expressão das individualidades – inclusive quando, para isso, se torna essencial subverter a ordem vigente. Em diversas situações, o que um conservador chamaria de “prudência” contra as tradições prevalentes um liberal chamaria de “tirania da maioria“.
São nas tentativas de mudar o status quo que se molda o futuro. A gente não sabe qual vai ser o futuro, nem a velocidade das mudanças. Ele é fruto da livre experimentação social e da competição do mercado de ideias. Ao conservador, isso dá calafrios; ao liberal, regozijo. Para o liberal quem deve moldar o futuro são as pessoas – e não as elites presunçosas, seja de direita ou esquerda. Quem acredita em mudança  derivada de ordem espontânea, sem direcionamento nem gurus, são os liberais.
O liberal vê a evolução social não como fruto de superioridade moral de costumes, mas como fruto da livre experimentação e competição de ideias. Ele não se foca na estática do passado, mas na dinâmica do presente e nas potencialidades do futuro. Como escreveu brilhantemente Hayek: “antes de mais nada, os liberais devem perguntar não a que velocidade estamos avançando, nem até onde iremos, mas para onde iremos.”
Um liberal olha para o futuro e almeja o progresso. A bem da verdade, não há nada menos conservador do que um liberal.


goesCarlos Góes é analista econômico com interesses em econometria, economia do desenvolvimento, filosofia política e antropologia. Fez seu mestrado em Economia Internacional na Universidade Johns Hopkins e sua graduação em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília. É co-fundador da rede Estudantes pela Liberdade no Brasil e da Aliança pela Liberdade. Publicou em periódicos internacionais e na imprensa nacional. Mora em Washington, DC, onde se divide entre think tanks e organismos multilaterais. Apesar disso, ele garante que aprendeu muito mais pagando multas na biblioteca e tomando cerveja com seus amigos do que em sala de aula.

http://www.liberdade.cc/posts/4845#.UxD9l-NdXFl

sábado, 11 de janeiro de 2014

"O texto abaixo esta no mural do amigo pensador e filósofo, Olavo de Carvalho."

Acho que este recado importante do Renan Arruda traz uma análise perfeita da situação:
(Olavo de Carvalho)

Por Renan Arruda
Gostaria que o senhor (Olavo) lesse algo que eu escrevi hoje e depois me desse a sua opinião.

"Vou dar o recado para quem quiser ouvir. Quem tiver a oportunidade de meter o pé do Brasil neste ano de 2014, que faça isto o mais rápido possível.
Isto aqui é um barril de pólvora. O governo está mantendo a economia artificialmente através de crédito. Quanto mais o governo prorrogar a crise se endividando, pior será o cenário da crise.
Acredito que o governo irá sustentar a economia desta maneira até o final de 2014 quando terminar a eleição, e este ano vão fazer de tudo para passar o controle da mídia e da internet. Quando conseguirem isto, em 2015 a crise vai estourar, e ai podem esperar por hiperinflação e desabastecimento dos produtos. Quando isto acontecer, o governo com controle da mídia e da internet irá dizer que isto está acontecendo por culpa dos capitalistas, e O PIOR DE TUDO, COM A POPULAÇÃO DE OLIGOFRÊNICOS QUE TEMOS VAI FUNCIONAR, e daí para frente irá ocorrer saques em tudo quanto é canto como está ocorrendo na Venezuela e Argentina.

Prestem atenção nas propriedades rurais que estão sendo desapropriadas e lembrem-se que a estratégia comunista começa do campo para a cidade. Depois que o governo do PT tiver o controle da mídia não dou nem 3 anos para que isto aqui se transforme em uma Cuba, assim como toda a América Latina. Não se esqueçam que eles já revelaram que o sonho deles é recuperar aquilo que foi perdido no Leste Europeu."

Aproveitando a oportunidade, eu não sei se esta mensagem está em sua linha do tempo, mas se estiver gostaria de pedir encarecidamente para que todas as pessoas acompanhem o que a Graça Salgueiro escreve e fala, e se puderem traduzir para o espanhol e divulgar para toda a América Latina. Pelo que eu entendi até agora não é mais possível reverter a situação do Brasil sem que se resolva o problema em toda a América Latina, pois o problema é contingencial. Mesmo vencendo o PT nas eleições (o que não mudaria muita coisa, mas ganharíamos algum fôlego) só iríamos ganhar tempo com eles migrando para algum outro país para acumularem forças e voltarem pior ainda.

O problema é: Para onde correr?
Os EUA estão com uma dívida, que se não me engano, é de 18 trilhões de dólares. Isto tem potencial para gerar a maior crise da história da humanidade. O que o Obama conseguiu até agora foi adiar a crise americana por duas vezes.
Explicando de uma maneira básica o que ele fez foi como se estivesse com uma dívida monstruosa no VISA e o limite estivesse para estourar, mas ele arranja uma solução genial. Qual? Pagar a dívida com o Mastercard e ainda aumentar o limite de crédito. O problema é que estes investimentos estão sendo feitos em gastos sem retorno. A impressão que me passa é que a população mundial atualmente acredita que dinheiro público é infinito, mas uma hora a conta vai chegar.

Some-se a isto que o FED, Banco Central norte americano, que é privado, está emitindo dólares a torto e a direita faz décadas e o que está sustentando o valor do dólar são os títulos da dívida pública. De uma hora para outra o dólar pode virar apenas um pedaço de papel. O que estão fazendo nos EUA já foi feito outras vezes na história da humanidade como no Zimbabwe ou na República de Weimar e nunca deu certo.
Eu tenho a impressão de que o dólar ainda não foi para o espaço porque as relações comerciais internacionais são feitas baseadas nesta moeda, mas pelo que ando lendo os países da Europa, Ásia e Oriente Médio já estão negociando uma nova maneira de comprar e vender dólares desvinculado do dólar. Talvez isto seja proposital para se criar uma nova moeda internacional.
De qualquer maneira os prognósticos para o futuro não são nada animantes.

Mas por outro lado o povo dos EUA sempre surpreende e desenvolvem tecnologia. Acho que mesmo eles gerando uma crise que irá arrastar o Mundo inteiro, a situação deles ainda será melhor que a nossa.

domingo, 5 de janeiro de 2014

ÉPOCA: "Cada nova vaga do setor público mata uma do setor privado, diz FMI"

Cerca de 40 milhões de brasileiros pagam os impostos que alimentam os salários de outros 11 milhões

MARCOS CORONATO
26/08/2013 10h06 - Atualizado em 26/08/2013 10h31

O Brasil deverá criar 1,4 milhão de empregos formais neste ano, se a economia não desacelerar mais no segundo semestre. No ritmo atual de contratações, esse grupo manterá a proporção de um funcionário público – no governo federal, nos Estados e nos municípios – para cada quatro profissionais formais do setor privado. Cerca de 40 milhões de brasileiros pagam os impostos que alimentam os salários de outros 11 milhões. A correlação não chega a ser um absurdo, em comparação com países em desenvolvimento – mas é igual à da Espanha, país em severa crise de desemprego. Há proporcionalmente mais funcionários públicos na Suécia e na Dinamarca (um para cada dois no setor privado) e menos funcionários públicos (um para cada cinco no setor privado) na Austrália, no Canadá e nos Estados Unidos. Um otimista tentaria ver o lado bom desses números. Quando o governo oferece mais médicos, pesquisadores, policiais e fiscais, ajuda o Brasil a funcionar melhor. Em países emergentes como o nosso, porém, a equação costuma levar ao resultado oposto: proliferam os assessores, intermediários e batedores de carimbo, que em nada ajudam o lado do país que quer trabalhar. Uma pesquisa publicada em junho por dois economistas do Fundo Monetário Internacional (FMI) mostra como o aumento no número de burocratas inibe a criação de empregos no setor privado. “Em nossa amostra completa de países avançados e em desenvolvimento, um emprego público tipicamente surge à custa de um emprego no setor privado”, afirmam os economistas Alberto Behar e Junghwan Mok, da divisão do FMI responsável pela África e pela Ásia Central.

Behar e Mok usaram dados de emprego de 194 países, de períodos similares, entre 1988 e 2011. Os dados do Brasil vão de 1995 a 2009. Eles alertam para a tentação de alguns governos que tentam aquecer a economia pelo aumento do tamanho do Estado. Na maioria dos países – o Brasil incluído –, o efeito tende a ser zero, se considerarmos apenas as estatísticas de emprego. O estudo não considera outros efeitos deletérios causados pelo inchaço do Estado no longo prazo, como queda de produtividade, aumento de corrupção e burocracia. Ao se concentrar sobre 25 países especialmente pobres, incluindo alguns relevantes, como Arábia Saudita, Irã e Turquia, os economistas encontraram um efeito ainda pior. Cada emprego público criado cancela mais de um emprego privado. As estatísticas de desemprego tendem a piorar com o tempo, à medida que o Estado engorda. Aos que veem o FMI como um bicho-papão que se limita a dar recomendações que atrapalham o crescimento, vale lembrar que ele mudou o discurso, diante da crise que tomou os países ricos a partir de 2007. As tradicionais exortações à disciplina nas contas públicas passaram a ser acompanhadas pelo reconhecimento de que os países precisam crescer e criar empregos.

O estudo não tem a pretensão de oferecer um retrato irretocável da realidade. O economista José Pastore, especialista no tema, considera a pesquisa bem-feita, mas não vê sinais, no Brasil, de que a criação de empregos públicos chegue a inibir a abertura de postos de trabalho privados. Ele alerta, porém, para outros fenômenos locais. “Nossos jovens valorizam demais o emprego público, que paga mais que o privado e oferece mais segurança. Basta ver a afluência nos concursos públicos e cursinhos preparatórios”, diz. Behar, do FMI, prefere não analisar o Brasil separadamente. “Nosso resultado é sobre efeitos médios e de longo prazo sobre todos os países”, afirma.

Há caminhos diversos para o emprego público afetar o privado. Nas histórias com final feliz, ocorre um fenômeno conhecido como “crowd in”, efeito que em português poderíamos apelidar de “todos a bordo”. Ao criar um emprego público, como o médico numa cidade do interior, o governo dá um sinal de que aquele local tem condições de abrigar mais profissionais e mais negócios. Como consequência, surgem mais empregos privados na área. O efeito oposto, constatado na pesquisa, é conhecido como “crowd out”, que poderíamos apelidar de “só cabe um”. Ao criar um emprego público, o governo aumenta a pressão por aumento de tributos ou manutenção de tributos altos. O maior número e tamanho de empresas estatais desincentiva os negócios privados. Maiores salários e maior estabilidade levam os profissionais a se bandear para o lado do governo. Por fim, os jovens passam a estudar mais para concurso público e menos para atender às demandas da sociedade e do setor privado. As distorções resultam em sociedades menos produtivas e mais pobres. O Brasil cria muitos postos de trabalho, mas eles são pouco produtivos, e o país cresce pouco. Ganharíamos, nessas duas frentes, se criássemos empregos dinâmicos, e não mais camadas de burocracia. 

Só cabe um (Foto: Otávio Burin/ÉPOCA)

sábado, 4 de janeiro de 2014

Frase de Roberto Campos.

"O PT é o partido dos trabalhadores que não trabalham, dos estudantes que não estudam e dos intelectuais que não pensarm"

sábado, 28 de dezembro de 2013

Comentário de "W.K." no site Bolha Imobiliária em 5 de dezembro de 2013.

Recapitulando o que a gente viu até aqui:

-Não existe almoço grátis.
-Muitos aparentam ter muito, mas não tem nada.
-Os niveis de endividamento das familias estão batendo no teto.
-Muitos ostentam uma vida incrivel que não possuem.
-Estejam liquidos.
-O comércio já “çangra”.
-Andem sempre ao lado do Motumbo, por que se voces andarem na frente dele…
-Não acredite em papo de corvos.
-Lave as mãos depois de fazer xixi.
-A torneira do crédito esta fechando.
-O Grande Nabo virá.
-Checkin.
-Cuidado, o que foi construído recentemente, na maioria é lixo.
-Muitos veem claramente o que esta acontecendo, e ainda assim negam.
-”Cabô-se”.
-Os dados oficiais escondem a verdade.
-”Só anta compra na planta.”
-A inflação esta batendo a porta de todos.
-O vôo da galinha está chegando ao fim.
-Sempre estaremos nadando contra a maré.
-O “PLOC” não se limitará aos imóveis.
-Poupem.
-Há uma diferença fundamental entre ser “rico”, e ser “próspero”.
-Comprar carro 0km no Brasil é assinar atestado de burrice.
-E segue o féretro.
-Em breve veremos o êxodo forçado de pessoas humildes, que não terão condições de pagar o IPTU de sua humilde casa, adquirida em 1975.
-Ter condições de manter um carro novo, e não ter condições de pagar um seguro é atestado de burrice.
-As vezes vale a pena resistir a uma tentação, outra bem melhor pode estar a caminho.
-Não siga a manada.
-Tudo no Brasil é mais caro se comparado a outros países. Tudo…
-A festa acabou.
-Não conte com o ovo no c* da galinha.
-Não acredite que com a copa, os “gringos” vão vir para cá e comprar tudo pelo dobro do preço.
-Tem proprietário que está tão fora da casinha, que acha que um porão imundo vale R$300 mil só por ser na “cidade maravilhosa”.
-Tá cada dia mais dificil para as antas manterem as aparências.
-Lembrem-se: Se voce pode não saber onde o Motumbo esta, mas ele SABE onde voce esta.
-Não, não vai.


http://www.bolhaimobiliaria.com/2013/12/05/existe-bolha-no-mercado-imobiliario-brasileiro-adolfo-sachsida/

"João e Kim", por Ricardo Amorim.

"Em 1960, a renda per capita na Coreia era metade da brasileira. Em 1970, eram parecidas. Hoje, na Coreia, ela é três vezes maior do que a nossa"

João e Kim nasceram em 21 de junho de 1970, dia em que o Brasil ganhou a Copa do México. Os pais de Kim eram professores; os de João também. Kim sempre estudou em escola pública; João também. Kim ama futebol; João adora. Kim é da classe média de seu país; João também. Os pais de Kim já se aposentaram; os de João também. Kim e João trabalham na mesma empresa, uma multinacional líder mundial em tecnologia. Kim é engenheiro e ganha R$ 7.100,00 por mês. João não chegou a terminar o ensino médio, ganha R$ 1.900,00 por mês. Kim trabalha na sede da multinacional e é chefe do chefe de João, que trabalha aqui no Brasil.

Onde os caminhos de Kim e João se separaram? 
A cegonha deixou Kim na Coreia do Sul, João no Brasil. Em 1960, a renda per capita na Coreia era metade da brasileira. Em 1970, eram parecidas. Hoje, na Coreia, ela é três vezes maior do que a nossa.

Como as vidas de centenas de milhões de Kims e Joãos tomaram destinos tão diferentes em poucas décadas? Educação, educação e educação.

O país dos Kims investiu no ensino público básico, de qualidade e acessível a todos. O governo coreano gasta quase seis vezes mais do que o brasileiro por aluno do ensino médio. Na Coreia, um professor de ensino médio ganha o dobro da renda média local; no Brasil, menos do que a renda média. Com isso, os Kims estão sempre entre os primeiros lugares nos exames internacionais de estudantes de ensino fundamental e médio – muitas vezes, em primeiro lugar. Os Joãos, melhor nem falar.

Só após garantirem uma boa formação básica e bom ensino técnico, os coreanos investiram em ensino universitário. Ainda assim, a Coreia tem três universidades entre as 70 melhores do mundo. O Brasil não tem nenhuma entre as 150 primeiras. Hoje, a Coreia do Sul é, em todo o mundo, o país com maior percentual de jovens que chegam à universidade – mais de 70%, contra 13% no Brasil. De quebra, o país dos Kims forma oito vezes mais engenheiros do que nós em relação ao tamanho da população de cada um. Tudo isso com um detalhe: a Coreia gasta menos com cada universitário do que o Brasil, mas forma quatro vezes mais Ph.Ds. per capita do que nós.

Para cada won gasto com a aposentadoria do pai de Kim, o governo coreano gasta 1,2 won com a escola do seu filho. No Brasil, para cada real gasto pelo governo com a aposentadoria do pai de João, ele gasta apenas R$ 0,10 com a escola do Joãozinho.

No ano que vem, os pais de Kim virão para a Copa do Mundo no Brasil. A mãe de João já tinha falecido, mas seu pai quis muito ir à Copa da Coreia e do Japão em 2002, mas não tinha dinheiro para isso. Há um ano, ele está fazendo uma poupancinha e ainda está esperançoso em ser sorteado para um dos ingressos com desconto para idosos para ver um jogo da Copa de 2014, nem que seja Coreia do Sul x Argélia. Como os ingressos com descontos são poucos e concorridos, as chances de seu João são baixas. Se conseguir, quem sabe ele não se senta ao lado do sr. e da sra. Kim. Pena que seu João não teve a chance de estudar inglês. Eles poderiam conversar sobre os filhos...

Comentário de Leandro Roque sobre "Salários" e "Lucro" (27/10/2011)

"... a questão dos salários é interessante porque ela expõe o real conhecimento econômico de um debatedor, separando quem discute economia de quem se limita a fazes meros apelos emocionais.

Em primeiro lugar, é uma impossível uma empresa pagar altos salários quando 70% de todo seu rendimento é tributado. No Brasil, por exemplo, sobre a receita bruta incidem PIS e COFINS. E depois, sobre o lucro restante incidem a CSLL e o IRPJ. Além destes impostos, há também os encargos sociais e trabalhistas sobre a folha de pagamento. E estamos apenas na esfera federal. A essa sopa de letras acrescente também o ICMS (estadual) e o ISS (municipal).

Dados Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário indicam que uma empresa paga tributos equivalentes a 70% do lucro obtido nos negócios -- isso é recorde mundial.

É impossível haver uma grande acumulação de capital desta forma. Lucro que poderia ser reinvestido na compra de bens de capital modernos, que aumentariam a produtividade dos trabalhadores -- e, consequentemente, seus salários -- é confiscado pelo governo e desperdiçado no sustento da burocracia e no salário de seus parasitas. A atividade governamental é destruidora de capital. Ela impede o enriquecimento de empresas e trabalhadores.

O Brasil não pode virar uma Alemanha por meio de um simples decreto governamental que estipule salários, como muita gente acha. Para que o Brasil pague salários de primeiro mundo, antes é preciso acumular capital. E para acumular capital, é preciso investir. E para investir, é preciso poupar. E para poupar, é preciso trabalhar. E para que a economia faça tudo isso, o governo não pode atrapalhar, não pode obstruir a livre iniciativa e não pode confiscar capital acumulado.

Qualquer discussão que não se atenha a estes fatos é mera espuma."

Definição de "Salário Justo", por Fernando Chiocca (27/10/2011)

"Salário justo é aquele acordado voluntariamente entre empregado e empregador. É justo pois é voluntário, de livre acordo, nenhum crime foi cometido, logo, não houve nenhuma justiça violada, sem injustiça. As duas partes saem ganhando.

Salário injusto é aquele onde existe a coerção, onde o uso ou ameaça do uso de violência fisica está envolvido, onde existe agressão contra a liberdade e a propriedade das partes envolvidas. Exemplos de salário injusto seriam um empregador ameaçar a vida do empregado para que ele aceite o salário (como no caso da escravidão em que o "salário" basicamente era alimento, vestuário e abrigo) ou empregados que recebem um salário maior graças a leis de salário mínimo (mas que, na maioria dos casos, os empregados deixam de ser contratados por conta dessa lei, ficando sem emprego algum)."

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Textos: Alegoria da caverna (Platão).

Imaginemos todos os muros bem altos separando o mundo externo de uma caverna. Na caverna existe uma fresta por onde passa um feixe de luz exterior. No interior da caverna permanecem seres humanos, que nasceram e cresceram ali.

Ficam de costas para a entrada, acorrentados, sem poder mover-se, forçados a olhar somente a parede do fundo da caverna, onde são projetadas sombras de outros homens que, além do muro, mantêm acesa uma fogueira. Pelas paredes da caverna também ecoam os sons que vêm de fora, de modo que os prisioneiros, associando-os, com certa razão, às sombras, pensam ser eles as falas das mesmas. Desse modo, os prisioneiros julgam que essas sombras sejam a realidade.

Imagine que um dos prisioneiros consiga se libertar e, aos poucos, vá se movendo e avance na direção do muro e o escale, enfrentando com dificuldade os obstáculos que encontre e saia da caverna, descobrindo não apenas que as sombras eram feitas por homens como eles, e mais além todo o mundo e a natureza.
Caso ele decida voltar à caverna para revelar aos seus antigos companheiros a situação extremamente enganosa em que se encontram, correrá, segundo Platão, sérios riscos - desde o simples ser ignorado até, caso consigam, ser agarrado e morto por eles, que o tomarão por louco e inventor de mentiras.

Platão não buscava as verdadeiras essências na simples Phýsis, como buscavam Demócrito e seus seguidores. Sob a influência de Sócrates, ele buscava a essência das coisas para além do mundo sensível. E o personagem da caverna, que por acaso se liberte, como Sócrates correria o risco de ser morto por expressar seu pensamento e querer mostrar um mundo totalmente diferente. Transpondo para a nossa realidade, é como se você acreditasse, desde que nasceu que o mundo é de determinado modo, e então vem alguém e diz que quase tudo aquilo é falso, é parcial, e tenta te mostrar novos conceitos, totalmente diferentes. Foi justamente por razões como essa que Sócrates foi morto pelos cidadãos de Atenas, inspirando Platão à escrita da Alegoria da Caverna pela qual Platão nos convida a imaginar que as coisas se passassem, na existência humana, comparavelmente à situação da caverna: ilusoriamente, com os homens acorrentados a falsas crenças, preconceitos, ideias enganosas e, por isso tudo, inertes em suas poucas possibilidades.

A partir da leitura do Mito da Caverna, é possível fazer uma reflexão extremamente proveitosa e resgatar valores de extrema importância para a Filosofia. Além disso, ajuda na formulação do senso crítico e é um ótimo exercício de interpretação de texto.